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Conheça Fernanda Hartmann, a voz de Beth Wilder em Quantum Break

Olá! Meu nome é Fernanda Hartmann. Tenho 28 anos, sou atriz desde os 14, dubladora há 2 anos e, embora a gente esteja conversando pela primeira vez aqui no blog, nós já nos conhecemos através de Quantum Break. Muito prazer, eu sou a voz brasileira de Beth Wilder. ?

Participar do jogo é uma chance maravilhosa para quem sempre sonhou em ser atriz. Minha primeira lembrança do interesse na área da dublagem vem da infância também, com os desenhos da Disney, que eu sempre assistia em português ainda em fita VHS! Adorava cantar junto as músicas e aquelas vozes sempre tão expressivas, caricatas e divertidas me encantavam. Sonhava em dublar uma “princesa” da Disney.

Quando entrei no meu 1º curso profissionalizante para atores, um dos chamarizes foi justamente um módulo de dublagem – que nunca aconteceu. Decepção total.

Ainda em minha cidade natal, Santa Maria, no Rio Grande do Sul, iniciei a faculdade de Artes Cênicas, que parei por uma boa causa: me mudei pra São Paulo cursar a EAD – Escola de Arte Dramática – onde finalmente me formei atriz.

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Fiz alguns cursos de dublagem com diversos profissionais da área, dentre eles a veterana Márcia Gomes e Herbert Richers Jr., até que consegui uma grande oportunidade em um dos maiores estúdio de São Paulo, chamado Tempo Filmes. Lá fiz estágio e iniciei com pequenas pontas, ganhei experiência e comecei a ganhar papéis maiores e minhas primeiras protagonistas. Serei eternamente grata a Millu Müller, que me abriu as portas.

E como eu fui parar em dublagem de jogo? Um dia, ainda em 2014, um grande amigo que trabalha com desenvolvimento de jogos para computador e celular comentou que um conhecido dele, com quem ele tinha dividido apê em Dublin anos atrás, trampava num estúdio que também dublava jogos, e me deu o cartão. É aquela história de um que conhece o outro e assim vai. Liguei, me apresentei e consegui marcar um registro de voz. Fiquei super feliz! Só isso já foi sorte grande! Nem todo estúdio faz registro de voz, por isso é tão difícil começar nessa carreira (é tipo o paradoxo do 1º emprego: a vaga que exige experiência, mas para conseguir experiência você precisa da vaga).

Quando fiz o registro, já me deparei com grande desafio que é dublar um jogo: você não tem referência de imagem. Quando você dubla um filme, novela, seriado, reality show, etc., você vê as cenas, as pessoas, as bocas… num jogo você é guiado apenas pelo áudio original e pelo gráfico das ondas sonoras. E você também tem uma quantidade absurdamente maior de reações não verbais (respirações, sons de luta, gemidos de dor, susto, surpresa).

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Feito o registro, restava esperar. Podiam me chamar logo, dali um mês ou nunca. Para minha surpresa e (imensa) felicidade fui chamada cerca de duas semanas depois. Quando você é chamado para uma escala, geralmente você só descobre o que vai dublar no momento em que chega no estúdio. Quando ligam, apenas são combinados o dia e a hora. Mas já desconfiava que seria um jogo, então estava com sorriso de orelha a orelha. Dublei a versão para tablet e celular de Star Wars Uprising. Foram participações “pequenas” em quantidade, mas, pô, era Star Wars! E agora tenho no currículo a “stormtrooper mulher”: Capitã Phasma e a Princesa Leia! Comecei com o pé direito no mundo dos jogos.

Chegaram as férias, voltei para o sul para passar as festas de fim de ano com a família. Joguei muito videogame com meu primo, como nos velhos tempos. Relembramos a época em que todos os primos passavam as férias escolares na casa da minha vó paterna (a família é grande – são 11 filhos, contando com meu pai) e tinha só um console pra todo mundo. Briga na certa. Para colocar ordem na bagunça minha tia instituiu turnos de 1 hora pra cada um (reduzidos para meia hora quando era muita gente).

Lembro da gente jogando jogos de terror no escuro com a porta fechada e tomando vários sustos. Numa dessas jogatinas em família, comentei com um dos primos: “Imagina a gente aqui um dia curtindo juntos um jogo que eu dublei, ouvindo a minha voz em um desses personagens!”.

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Quem diria que a conversa seria tão profética! Depois da experiência com mobile, o primeiro jogo dublado foi logo essa mega-produção da Remedy, ~só~ um dos jogos mais esperados do ano! E justo com a Beth Wilder, uma das personagens mais importantes da trama!

Apesar de feliz com o resultado do trabalho, ainda não vi como ficou aplicado ao jogo. Mas tudo bem, vou conferir junto com você, dia 5, no lançamento oficial. A ansiedade é grande. Para a menina que sempre foi fã de jogos e virava noites em maratonas com seus primos, isso é muito legal! Para a atriz/dubladora que está na estrada há pouco tempo e já foi selecionada para um trabalho tão bacana, tão importante e esperado é uma honra sem tamanho.

Espero que minha jornada no mundo dos games esteja só começando e que a gente se “encontre” ainda bastante por aí! Beijo grande e bom jogo!

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