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[Análise] Far Cry Primal – A sobrevivência do mais forte

Após quatro jogos em meio a tiroteios e muitas explosões, agora a Ubisoft de forma corajosa, nos leva a um tempo pouco explorado nos jogos, há muitos anos antes de Cristo, até à Idade da Pedra. Em Far Cry Primal somos levados a um período em que definitivamente não éramos o topo da cadeia alimentar, onde praticamente tudo quer te matar e a luta pela sobrevivência é algo constante. O novo jogo da série traz o costumeiro gameplay a um mundo inteiramente novo.

É em meio a este plano de fundo que controlamos Takkar, um membro da tribo Wenja que chega à hostil porém promissora terra de Oros. O jogo já te surpreende logo de cara, com uma introdução fantástica e imersiva que já apresenta alguns dos perigos a serem enfrentados ao longo de sua aventura. Takkar chega à terra de Oros na esperança de achar um lugar para estabelecer sua tribo. Devido a sua força e habilidades, ele acaba se tornando o líder da tribo, e tem como responsabilidade reunir mais wenjas que estão espalhados por Oros, vivendo separados em meio aos perigos do local.

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Obviamente os wenjas não estão sozinhos em Oros, e Takkar encontra frequentemente membros da tribo canibal dos Udam, e também os mestres do fogo da tribo Izila. O objetivo então se torna claro, matar Ull, líder dos Udam, e Batari, a líder dos Izila. Porém para isso um longo caminho deve ser trilhado, melhorando habilidades e aumentando a vila dos wenja. Há muita coisa para se fazer em Oros, e o jogador pode se sentir até perdido ás vezes. Itens para coletar estão espalhados por todo canto, animais populam cada região, e missões secundárias estão disponíveis em diversos locais.

É comum estar a caminho de uma missão principal e parar para ajudar algum wenja em perigo, coletar recursos para dar upgrade em equipamentos ou até rastrear um possível animal raro pelo seu cheiro. A mecânica da série Far Cry aqui se encaixa perfeitamente, fazendo com que o jogador colete plantas, pedras, madeira, peles e couros de animais para criar bolsas maiores, aljavas para flechas ou vestimentas para o frio. Novamente temos aquela eterna busca por materiais para criar armas e itens cada vez melhores, tomando grande parte do tempo mesmo sem que percebamos. Dentre as armas disponíveis as principais são o tacape, lança e arco, o que não dá muita variedade, porém é algo que não me incomodou tanto. Ainda é possível utilizar de outros recursos, como fragmentos de pedra, bombas de fogo, de abelhas e mais.

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O mundo é vivo e perigoso, o jogador pode ser surpreendido por algum predador a qualquer momento, seja na terra, na água ou no ar, é praticamente tudo querendo te matar, o que dá uma real sensação de sobrevivência. Para intensificar ainda mais, os efeitos sonoros são surpreendentes, e me deixaram completamente imerso enquanto caçava. Cheguei a aprender a distinguir entre os diferentes sons dos predadores, entre o berro de um urso ou o uivar dos lobos. Tudo isso se intensifica nas missões especiais de caça as feras, que exigem posicionamento de armadilhas, habilidades para sobreviver e investigação, esta que funciona como em The Witcher 3, onde o jogador possui um “instinto” que evidencia pistas.

Os efeitos sonoros são surpreendentes, e me deixaram completamente imerso enquanto caçava. Cheguei a aprender a distinguir entre os diferentes sons dos predadores, entre o berro de um urso ou o uivar dos lobos

Mas Takkar não está sozinho nesse mundo hostil, ele conta com a ajuda de animais. O personagem é chamado de o Mestre das Feras, e é capaz de domar animais como lobos, ursos, tigres dentes de sabre e mais. A mecânica é muito divertida, e até fácil demais de domar animais, basta jogar uma isca, esperar que eles comecem a comer e se aproximar para domá-lo. Mas ter um animal ao lado abre possibilidades para criação de táticas para se manter furtivo. O grande porém é que o jogo pode se tornar bem mais fácil, já que com um animal forte ao lado, predadores vão correr de medo de você. O jogador ainda tem outro poderoso amigo, uma coruja que pode sobrevoar acampamentos marcando inimigos e até ajudar lançando bombas.

Easter egg de Far Cry Dragon Blood

Easter egg de Far Cry Dragon Blood

Enquanto a habilidade de domar animais é uma das principais novas mecânicas para a série, praticamente todo o resto se manteve semelhante aos dois jogos anteriores. Aqui temos os postos avançados e agora as piras substituindo as torres. E como anteriormente, tomar estes lugares é uma das partes mais divertidas, que contam com o desafio de matar todos os inimigos sem a chamada de reforços ou sem ser notado, o que concede quantidade enorme de XP. As missões secundárias, assim como os colecionáveis, estão presentes em peso. Elas variam entre missões de ajudar os wenja, como escoltando eles para algum lugar, confrontos tribais, por exemplo queimando vilas inimigas, missões de matar feras e missões da vila.

Apesar de uma apresentação impressionante em termos visuais e gameplay, a história não tem nada de especial, sendo interessante em alguns momentos, mas demasiadamente simples e direta

Assim como acontece nos jogos anteriores, e em vários outros de mundo aberto, a quantidade excessiva de quests secundárias acaba tornando-as repetitivas após algum tempo. Para aqueles jogadores que esperam algo diferente de Far Cry 3 e 4, este ainda não é o jogo. Primal é essencialmente semelhante, apenas em outro tempo e com outras armas. Apesar de uma apresentação impressionante em termos visuais e gameplay, a história não tem nada de especial, sendo interessante em alguns momentos, mas demasiadamente simples e direta, sem muitos momentos marcantes. Um elemento interessante é um vídeo inicial que mostra o que aconteceu anteriormente na aventura, assim como em séries de TV. Vale ressaltar também a linguagem falada, que foi criada pela desenvolvedora em três variações, uma para cada tribo presente no jogo.

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Para os fãs da série, aqui está um dos melhores jogos da franquia em termos de gameplay. Já no quesito história, Primal seria um dos piores, ainda mais quando lembrarmos que nos jogos anteriores tínhamos inimigos tão emblemáticos como Pagan Min e Vaas, cargo que aqui não é ocupado devidamente. História a parte, Far Cry Primal surpreende pelo seu belíssimo visual, mundo vivo e perigoso, gameplay viciante de coleta para upgrades e mecânica divertida de domar feras. O jogo é mais curto do que outros do estilo, levando em torno de 20 horas (no máximo 30 horas para se fazer tudo), porém é uma aventura extremamente divertida e recomendada para os fãs da série, que certamente não irão se decepcionar com a jogabilidade.

Após quatro jogos em meio a tiroteios e muitas explosões, agora a Ubisoft de forma corajosa, nos leva a um tempo pouco explorado nos jogos, há muitos anos antes de Cristo, até à Idade da Pedra. Em Far Cry Primal somos levados a um período em que definitivamente não éramos o topo da cadeia alimentar, onde praticamente tudo quer te matar e a luta pela sobrevivência é algo constante. O novo jogo da série traz o costumeiro gameplay a um mundo inteiramente novo. É em meio a este plano de fundo que controlamos Takkar, um membro da tribo Wenja que chega…

Ótimo

GRÁFICOS - 95%
HISTÓRIA - 95%
JOGABILIDADE - 93%
SOM - 91%
LONGEVIDADE - 89%

93%

Nota Final

Apesar de ter essencialmente o mesmo gameplay dos jogos anteriores, Far Cry Primal troca armas de fogo por tacape, lança e arco a fim de contar uma história mediana no fantástico e vivo mundo de Oros.

User Rating: 5 ( 1 votes)

Fundador da Game Vision gamer desde criança quando passava horas em fliperamas, vicíado por games de RPG, MOBA, Luta e Ação :D

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