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Wolcen: O Diablo III que esperávamos?

Quando Diablo III foi revelado em 2008 pela Blizzard, praticamente todos os gamers do mundo entraram em frenesi e assim ficaram por quatro anos, quando finalmente o jogo foi lançado, em maio de 2012. Comprei Diablo III por impulso e pelas memórias das longas noites jogando Lord of Destruction, a expansão do aclamado Diablo II. Um dos maiores arrependimentos da minha vida – era mais uma caricatura de Diablo colorida do que um jogo da franquia em si. A expansão, Reaper of Souls, remediou vários problemas e o jogo depois trouxe mais uma classe, mas convenhamos que a Blizzard ficou devendo muito.

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Com o passar do tempo, vários ARPGs foram lançados, alguns excelentes, como Torchlight, Path of Exile e Grim Dawn. Wolcen: Lords of Mayhem é o próximo na linha de sucessão, e julgando pelo beta (disponível na Steam), o título da Wolcen Studios tem potencial para ser o jogo mais próximo do que esperávamos de Diablo III. O setting é a principal diferença, afinal, em Wolcen sua missão não é salvar os céus do Satanás e seus irmãos. A história de Wolcen envolve tramas políticas, traições e alguns plot twists não tão imprevisíveis assim. Porém, tudo isso acontece no ato I do jogo, o único disponibilizado para a versão beta.

A cidade de Stormfall, HUB principal de Wolcen.

Wolcen também traz um estilo mais steam punk, misturando influências da era medieval com artefatos e armas de alta tecnologia, possibilitadas através de mágica. A escolha dos desenvolvedores é inteligente e possibilita coisas absurdas como uma Railgun em plena idade média. É estranho, mas dentro do contexto apresentado pelo jogo, funciona.

Jogar Wolcen é como fazer um curso intensivo sobre game design da última década. O sistema de evasão ao rolar é igual ao de Dark Souls, inclusive com limite de stamina. A árvore de habilidades passivas vem de Path of Exile (que adaptou o conceito utilizado em Final Fantasy X). O endgame do jogo assemelha-se ao de Diablo III, algo parecido com as Rifts – a cada dungeon vencida, a próxima é mais difícil, mas a possibilidade de recompensa é maior. Em tempo, a versão beta traz o Ato 1 completo e uma versão demo do endgame, um modo de jogo chamado Soldier of Fortune. Dizer que Wolcen é uma compilação de boas idéias, porém, é uma injustiça.

É possível rotacionar a árvore passiva, criando combinações diferentes de classes. Outro detalhe importante: o jogo não restringe nenhuma escolha de classe, quem faz a classe é o jogador. As habilidades ativas, como ataques especiais e magias, dependem da arma que o personagem está utilizando. Assim, se o jogador equipar um arco, não poderá utilizar as habilidades de ataque corpo-a-corpo. Pode-se dizer que Wolcen pega grandes ideias e tenta fazer algo diferente com elas.

É possível rotacionar a árvore passiva, criando combinações diferentes de classes. Outro detalhe importante: o jogo não restringe nenhuma escolha de classe, quem faz a classe é o jogador. As habilidades ativas, como ataques especiais e magias, dependem da arma que o personagem está utilizando. Assim, se o jogador equipar um arco, não poderá utilizar as habilidades de ataque corpo-a-corpo. Pode-se dizer que Wolcen pega grandes ideias e tenta fazer algo diferente com elas.

Um joystick seria bom…

A grande vantagem de Wolcen com relação aos concorrentes do gênero é a jogabilidade. Wolcen parece ser fácil durante a campanha normal, mas ao entrar nas dungeons do modo Soldier of Fortune é que a diversão começa. O sistema de recursos do jogo é complexo – Willpower e Rage, utilizados por magos e ladinos/guerreiros/arqueiros, respectivamente – e exige habilidade na hora de equilibrá-los. Basicamente, um recurso gera outro, então gerenciar tudo isso e tentar não morrer torna-se uma tarefa intensa. Essa, porém, é toda a graça do jogo.

Enquanto que sobreviver a uma dungeon do endgame de Diablo III ou Path of Exile é mais uma questão matemática e de items, Wolcen exige habilidade genuína. É possível terminar um mapa inteiro sem ser atingido. Nas dungeons de nível mais alto, torna-se quase uma exigência para sobreviver. Dá para entender porque o sentimento de adrenalina e recompensa é muito maior em Wolcen. Ainda não existe, infelizmente, suporte para joystick.

Então é perfeito?

Jogabilidade e gráficos de alta qualidade (o jogo é feito em CryEngine, a engine mais poderosa em termos de gráficos e performance que eu já vi até hoje) são fatores importantes em qualquer jogo. Entretanto, Wolcen carece de algumas mudanças que trariam mais qualidade de vida ao jogador. Não é possível não atacar com o botão esquerdo do mouse, um pecado vexaminoso em qualquer ARPG. A matemática do jogo também não é clara e em alguns casos, os modificadores dos itens são confusos. Fica difícil entender qual é exatamente o efeito de certos stats.

O ponto de vista do jogador também poderia ser mais alto, uma das principais queixas que tenho com relação a Path of Exile. RPGs de visão isométrica tem um grande diferencial – a visibilidade da tela. Wolcen precisa de um zoom out, principalmente quando o jogador está andando em direção à tela. Fica bem fácil morrer em dungeons de nível mais alto por simplesmente não ter visto os monstros. Além disso, a otimização do jogo tem espaço para melhora e algumas quedas no FPS acontecem em momentos inoportunos.

Wolcen não é uma obra-prima, não ainda, mas se corrigir esses defeitos e os bugs, tem potencial para ser o melhor ARPG da atualidade, ou ao menos um excelente aperitivo enquanto esperamos por Torchlight III, Diablo IV e Path of Exile 2.

The Untainted, um dos inimigos mais letais de Wolcen.

Quando será lançado?

Wolcen tem a data de lançamento prevista para 13 de fevereiro, daqui a dois dias. A versão 1.0 promete nível máximo 90 (a versão Beta vai até o nível 20 para os personagens), três atos, 40 skills com até 16 possibilidades de modificação, uma árvore passiva completa, 21 subclasses, itens únicos novos e um outro modo voltado para o endgame, ainda não revelado. Parece um salto grande, já que o beta aberto ao público não tem nem um terço do conteúdo da versão final. Em uma indústria que vem sofrendo com falsas promessas, um pouco de cautela é bom, mas que Wolcen é divertido, é. Talvez o ARPG mais divertido do momento. Após o lançamento, traremos a review completa.

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